Colunata de edifício judiciário ao entardecer

JOTA · 21 de setembro de 2026

Terras raras: os desafios de regulação e governança para os servidores públicos

A gestão estratégica de minerais críticos e terras raras exige do funcionalismo público federal a criação de regras claras de crédito fiscal e governança para garantir o desenvolvimento do país.

Referência: JOTA

O debate global sobre a transição energética e a descarbonização da economia colocou o Brasil em uma posição estratégica devido ao seu vasto potencial de minerais críticos. Entre esses recursos, destacam-se as chamadas terras raras, elementos essenciais para a fabricação de turbinas eólicas, motores de veículos elétricos e dispositivos de alta tecnologia. No entanto, a formulação de políticas públicas voltadas para esse setor impõe desafios complexos ao corpo técnico do funcionalismo público federal.

A governança desses recursos minerais exige dos gestores públicos a criação de mecanismos que garantam que os incentivos fiscais concedidos resultem em real desenvolvimento tecnológico e social. Sem diretrizes claras de monitoramento e regulação, o país corre o risco de perpetuar um modelo primário-exportador de baixo valor agregado, sem colher os benefícios da industrialização local.

O papel dos incentivos fiscais e a adicionalidade

Um dos principais instrumentos em discussão para o fomento do setor é a concessão de créditos fiscais e subsídios para a exploração e o beneficiamento desses minerais. Para os servidores que atuam nos ministérios da área econômica e de minas e energia, o grande desafio técnico é garantir o princípio da adicionalidade.

A adicionalidade significa que o incentivo estatal deve gerar investimentos que não ocorreriam de forma espontânea pelas forças de mercado. Os técnicos do setor público precisam desenhar editais e contratos de concessão que exijam das empresas contrapartidas claras, como o desenvolvimento de cadeias de suprimentos domésticas, pesquisa científica nacional e transferência de tecnologia.

Previsibilidade regulatória e segurança jurídica

A atração de investimentos de longo prazo para a cadeia de minerais críticos depende diretamente da estabilidade das regras estabelecidas pelo Estado. O papel das agências reguladoras e do corpo técnico governamental é formular normativas claras, que evitem flutuações bruscas nas regras do jogo.

A previsibilidade regulatória protege tanto o investidor, que pode calcular seus riscos com maior precisão, quanto o próprio servidor público, que passa a contar com parâmetros objetivos para fiscalizar a execução dos projetos. A clareza nas metas de sustentabilidade ambiental e social também evita a judicialização de licenças e contratos.

Integração de políticas e fortalecimento institucional

A gestão eficaz da cadeia de terras raras não pode ocorrer de forma isolada. Ela demanda uma articulação estreita entre diferentes órgãos da administração pública federal, estadual e municipal. Órgãos de fomento à pesquisa, agências de proteção ambiental e ministérios voltados à indústria devem atuar em sintonia.

Para os servidores públicos dessas carreiras, isso se traduz na necessidade de capacitação contínua e na estruturação de comitês intersetoriais. O fortalecimento institucional é o caminho para que o Brasil consiga transformar suas riquezas naturais em um vetor de desenvolvimento sustentável e soberania tecnológica.

Impacto prático

Para o servidor público que atua nas áreas de planejamento, regulação, meio ambiente e formulação de políticas industriais, a discussão sobre a governança de minerais críticos e terras raras exige um novo patamar de qualificação técnica. Na prática, esses profissionais serão os responsáveis por desenhar os critérios de concessão de incentivos fiscais e monitorar a contrapartida das empresas mineradoras.

A exigência de regras transparentes e previsíveis protege o corpo técnico de pressões políticas e garante segurança jurídica na tomada de decisões. Servidores de agências reguladoras (como a ANM) e de ministérios finalísticos (como Minas e Energia, e Desenvolvimento, Indústria e Comércio) precisarão se capacitar para avaliar se os projetos de extração e beneficiamento trazem, de fato, inovação tecnológica e valor adicionado ao território nacional, indo além da simples exportação de matéria-prima bruta.

Além disso, a atuação desses servidores será fundamental para integrar as políticas de crédito fiscal com as metas de sustentabilidade ambiental e transição energética do país, consolidando o papel do Estado como indutor do desenvolvimento econômico seguro.

Fonte: JOTA

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