
JOTA · 04 de setembro de 2026
PEC que incorpora servidores de ex-territórios à União é aprovada na CCJ
Proposta que transfere servidores dos antigos territórios federais de Rondônia, Roraima e Amapá para os quadros da União avança com aprovação na CCJ da Câmara.
Referência: JOTA
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 47/2023. O texto altera as regras para permitir que pessoas que mantiveram relação de trabalho com os ex-territórios federais do Amapá, Roraima e Rondônia sejam integradas ao quadro em extinção da administração pública federal.
A medida beneficia diretamente milhares de servidores e trabalhadores que prestaram serviços a esses estados ou aos seus municípios durante os primeiros anos de criação das novas unidades federativas. Agora, a proposta seguirá para análise de uma comissão especial antes de ser votada pelo plenário.
O que prevê a PEC dos ex-territórios
O objetivo central da proposta é estender o prazo de enquadramento para profissionais que comprovarem vínculo empregatício ou estatutário durante a instalação dos estados. O texto estabelece o direito de opção para ingressar na folha de pagamento da União aos seguintes grupos:
- Quem prestou serviços ao estado de Rondônia até outubro de 1991, abrangendo os primeiros dez anos de sua criação;
- Quem trabalhou nos estados do Amapá e de Roraima até outubro de 1998, também correspondendo ao período de dez anos após a instalação dessas unidades.
A regra vale para servidores públicos civis e militares, além de pessoas que mantiveram relação de trabalho comprovada com os estados, seus municípios ou empresas públicas dessas localidades.
Critérios para a comprovação de vínculo
Para ter o direito reconhecido, o interessado precisará apresentar documentos que comprovem o exercício de atividade profissional na época. Serão aceitos contratos de trabalho, contracheques, registros em carteira profissional ou atos de nomeação e designação.
Uma vez comprovada a relação de trabalho dentro do intervalo determinado pela PEC, o trabalhador poderá optar pela transição. A União passará a ser a responsável pelo pagamento dos salários e encargos previdenciários, liberando os estados e municípios dessa despesa.
Impacto financeiro e próximos passos legislativos
De acordo com estimativas apresentadas pelo governo federal, a incorporação desses profissionais pode gerar um impacto financeiro de cerca de R$ 6 bilhões anuais aos cofres da União. Esse valor é um dos principais pontos de atenção durante a tramitação da proposta em Brasília.
Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição, o caminho legislativo ainda exige o cumprimento de etapas rigorosas:
- Criação e debate em uma Comissão Especial na Câmara dos Deputados;
- Votação em dois turnos no plenário da Câmara, necessitando de três quintos dos votos dos deputados em ambas as rodadas;
- Promulgação do texto pelo Congresso Nacional, caso seja aprovado sem alterações substanciais em relação ao texto já votado pelo Senado.
A aprovação na CCJ é uma vitória política importante para as bancadas de Rondônia, Roraima e Amapá, que há anos pressionam pela equiparação de direitos e pela transferência definitiva desses profissionais para o funcionalismo público federal.
Impacto prático
Na prática, a aprovação da PEC 47/2023 na CCJ representa um passo decisivo para que milhares de trabalhadores dos antigos territórios federais de Rondônia, Roraima e Amapá sejam integrados aos quadros da administração pública federal.
Para os profissionais que comprovarem o vínculo com esses estados ou seus municípios durante os primeiros dez anos de sua criação, a medida garante a transição para o regime estatutário da União. Isso significa estabilidade financeira, equiparação salarial com as carreiras federais correspondentes e acesso aos planos de previdência e benefícios do funcionalismo federal.
Contudo, a mudança não é imediata. A proposta ainda precisa passar por uma comissão especial e ser votada em dois turnos no plenário da Câmara dos Deputados antes de ser promulgada. Se aprovada em definitivo, a União assumirá uma folha de pagamento estimada em R$ 6 bilhões anuais, desonerando os cofres dos estados e municípios envolvidos e oferecendo segurança jurídica a esses trabalhadores que aguardam há décadas pelo reconhecimento de seus direitos funcionais.
Fonte: JOTA
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