Colunata de edifício judiciário ao entardecer

Conjur · 06 de setembro de 2026

Gilmar Mendes propõe proibir policiais e militares em gabinetes do STF

O ministro Gilmar Mendes formalizou proposta para proibir que militares e policiais de carreira ocupem cargos comissionados e funções de confiança nos gabinetes dos ministros do STF.

Referência: Conjur

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), formalizou uma proposta de emenda ao Regimento Interno da Corte que pode alterar significativamente a composição das equipes de assessoramento dos ministros. O objetivo da medida é proibir que militares das Forças Armadas e policiais de carreira ocupem cargos comissionados ou funções de confiança nos gabinetes dos magistrados.

A iniciativa amplia uma discussão iniciada anteriormente e foca na preservação da independência e da neutralidade do Poder Judiciário. A proposta agora será analisada pelos demais integrantes do tribunal, que decidirão sobre a alteração das regras internas de funcionamento da instituição.

Os detalhes da restrição proposta

A proposta apresentada pelo decano impede a nomeação de integrantes das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) e de carreiras policiais para funções de assessoramento direto. A restrição abrange cargos em comissão e funções gratificadas que atuam na formulação de decisões e na gestão dos gabinetes dos ministros.

Segundo a fundamentação do ministro, a presença de agentes de segurança armada e de inteligência em postos de assessoria jurídica ou administrativa pode gerar conflitos de interesse. A intenção é delimitar claramente as funções de segurança institucional daquelas voltadas à atividade-fim do tribunal.

Justificativa e preservação institucional

A medida reflete uma preocupação com a integridade das informações e com a necessária distância que o Judiciário deve manter de corporações fortemente hierarquizadas ou armadas. O debate ganhou força diante da necessidade de proteger a atuação jurisdicional contra eventuais pressões externas ou desvios de finalidade de agentes públicos requisitados.

O texto proposto argumenta que os gabinetes dos ministros devem ser compostos essencialmente por servidores de carreira do Judiciário e profissionais do Direito dedicados exclusivamente à atividade técnico-jurídica, sem vínculos ativos com forças policiais ou militares.

Impacto na requisição de servidores

Atualmente, o STF e outros tribunais superiores costumam requisitar servidores de diversos órgãos da administração pública federal e estadual para compor seus quadros temporários. Policiais federais, civis e militares frequentemente desempenham funções de apoio técnico, segurança aproximada e assessoramento de inteligência.

Caso a emenda seja aprovada pela maioria dos ministros, haverá um processo de transição para que os atuais assessores que se enquadrem nessa proibição retornem aos seus órgãos de origem. As requisições futuras para essas posições específicas de gabinete ficarão permanentemente vedadas.

Próximos passos no STF

Para que a proibição passe a valer, a proposta de emenda ao Regimento Interno precisa ser incluída em pauta de julgamento administrativo pelo presidente do STF. Todos os ministros deverão votar a proposta em sessão administrativa.

Se aprovada, a resolução será publicada no Diário da Justiça Eletrônico e passará a produzir efeitos imediatos, exigindo a adequação de todos os gabinetes da Suprema Corte às novas diretrizes de pessoal.

Impacto prático

Na prática, a proposta apresentada pelo ministro Gilmar Mendes restringe o mercado de trabalho interno no Supremo Tribunal Federal para policiais federais, policiais civis, policiais militares e membros das Forças Armadas. Caso a emenda ao Regimento Interno seja aprovada, esses servidores não poderão mais ser requisitados ou nomeados para cargos em comissão ou funções de confiança diretamente nos gabinetes dos ministros.

A medida visa reforçar o caráter civil e a neutralidade da prestação jurisdicional do tribunal, evitando o que o ministro classificou como potenciais conflitos de interesse ou riscos de espionagem e politização. Para os policiais e militares que hoje ocupam ou planejavam ocupar essas posições de assessoria estratégica no STF, a mudança exigirá o retorno aos seus órgãos de origem ou a busca por oportunidades de cessão em outras áreas da administração pública que não estejam sujeitas a essa proibição específica. A área de segurança institucional do próprio tribunal, contudo, deve permanecer sob regras distintas de atuação.

Fonte: Conjur

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